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Anticoncepcionais e desejo sexual

Com certeza o medicamento que tem maior efeito (negativo) sobre a libido e vida sexual das mulheres é o contraceptivo oral (pílula anticoncepcional).


Alguns estudos já demonstraram que a partir da terceira semana de uso do contraceptivo oral o interesse das mulheres por sexo já era reduzido, em comparação com mulheres que não faziam uso da pílula. O mesmo efeito foi observado em estudo com macacas quando receberam contraceptivo subcutâneo.


Alguns outros estudos tentam explicar essa relação entre contraceptivos e diminuição da libido através do SHBG, uma proteína (globulina) que se liga aos hormônios sexuais. O SHBG em condições normais se liga a todos os hormônios sexuais mas com maior "afinidade" a testosterona. Como um dos efeitos das pílulas anticoncepcionais é aumentar o nível circulante do SHBG, o mesmo diminui a testosterona disponível na mulher - afetando diretamente o desejo sexual.


Em algumas mulheres, que possuem uma determinada mutação genética, os contraceptivos influenciam inclusive na redução do transporte de serotonina, levando a quadros depressivos e com oito vezes mais chance de serem diagnosticadas com disfunção sexual.


Estudos em andamento na Universidade de Concordia, no Canadá, tem tentado esclarecer melhor os mecanismos endocrinológicos e de neurotransmissores associados a excitação sexual no sexo feminino. O estudo já identificou efeitos dos neurotransmissores dopamina, melanocortina e do hormônios oxitocina em acelerar a excitação.


O tema relacionado ao desejo sexual feminino vem cada vez mais entrando em discussão na comunidade médica, talvez por ser um dos componentes que mais impactam na qualidade de vida das mulheres. Uma pesquisa conduzida com pacientes no Cleveland Medical Center in Ohio mostrou que a satisfação com a vida sexual está no mesmo grau de prioridades do que o sucesso profissional e financeiro, por exemplo.


Fonte: Nature, 2017