Blog

Hábitos alimentares ruins matam mais pessoas que o fumo

Todo mundo sabe que uma alimentação qualitativamente ruim (com muitos alimentos industrializados, muitos conservantes, sódio em excesso e pouco consumo de legumes e frutas) pode levar a doenças como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer.


No entanto o real impacto de uma alimentação qualitativamente ruim sobre a expectativa de vida com qualidade e a mortalidade populacional ainda não havia sido avaliada.



Uma pesquisa recente fez uma correlação dos resultados de diversos estudos de larga escala ao redor do mundo nos últimos 27 anos tentando responder a essa questão - quanto uma dieta ruim pode levar a mortalidade e morbidade (fatores que levam a doenças)?


O estudo identificou a correlação entre determinados fatores alimentares (como alto consumo de sódio, baixo consumo de frutas por exemplo) com morbidade e mortalidade em indivíduos com mais de 25 anos de idade e chegou a números assustadores. A mortalidade por má qualidade dietética supera inclusive o número de mortes associadas ao fumo.


O estudo  concluiu que uma dieta de má qualidade produziu, apenas em 2017, 11 milhões de mortes e 255 milhões de DALYs (disability-adjusted life-years - que pode ser traduzido como 1 ano a menos de expectativa de vida “saudável”).


Alto consumo de sódio representou três milhões de óbitos, ingesta insuficiente de grãos integrais mais três milhões e baixo consumo de frutas aproximadamente dois milhões de mortes.


A evidência do impacto de má qualidade alimentar como fator promotor de doenças crônicas não transmissíveis e do custo populacional em redução da expectativa de vida “saudável” torna urgente a necessidade de melhoria da qualidade alimentar na população mundial segundo os autores do estudo.



Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017